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Google muda abuso de reputação no EEE em 30 de agosto: o que muda no Search Console e fora do EEE

A partir de 30 de agosto, o efeito das ações manuais por abuso de reputação do site passa a depender de onde a busca é feita. Entenda o que muda no EEE, o que continua valendo no Brasil e como ler o Search Console.

Notebook exibindo o Google Search Console em uma tela sobre ação manual por abuso de reputação do site, ao lado de celular com o logotipo do Google
Notebook exibindo o Google Search Console em uma tela sobre ação manual por abuso de reputação do site, ao lado de celular com o logotipo do Google

A partir de 30 de agosto de 2026, o Google passa a dar efeitos diferentes às ações manuais por abuso de reputação do site conforme a localização de quem faz a busca. Para usuários fora do Espaço Econômico Europeu (EEE) — incluindo o Brasil — a ação manual continua afetando diretamente os resultados da parte do site atingida. Para usuários dentro do EEE, o impacto dessa ação manual não será aplicado. Isso, porém, não significa que a política foi revogada no EEE: o Google continua avaliando esse tipo de conteúdo e pode tratar a seção afetada como separada do restante do domínio para que, ao longo do tempo, ela seja ranqueada pelos próprios méritos.

A mudança também não elimina o Search Console desse processo. O proprietário do site continua sendo avisado quando uma ação manual de site reputation abuse é aplicada e pode enviar um pedido de reconsideração. A diferença é que, desde 30 de agosto, o efeito sobre o ranking deixa de ser uniforme entre o EEE e o restante do mundo.

O que muda em 30 de agosto

Situação Busca feita no EEE Busca feita fora do EEE
Ação manual por abuso de reputação do site O impacto direto da ação manual não se aplica aos resultados mostrados ao usuário. A ação manual continua afetando diretamente os resultados da parte do site atingida.
Tratamento da seção considerada problemática A seção pode ser categorizada como separada do domínio principal e, com o tempo, passar a ser ranqueada de forma independente. Continua valendo o efeito da ação manual sobre as páginas ou a seção afetada.
Search Console O site continua recebendo notificação da ação manual, com acesso ao fluxo de reconsideração.
Ações manuais anteriores O Google informa que levantará as ações anteriores dessa política para páginas exibidas a usuários no EEE. Não há anúncio equivalente de retirada; o modelo de ação manual continua valendo.

O detalhe mais importante é geográfico: a regra fala do local do usuário que vê os resultados, não da sede do site. Um domínio brasileiro, europeu ou de qualquer outro país pode ter uma ação manual registrada, mas o efeito dela sobre a busca varia conforme o resultado é mostrado dentro ou fora do EEE.

Para sites brasileiros, a política continua valendo

Para buscas feitas no Brasil, nada no anúncio indica uma retirada da ação manual por abuso de reputação. O próprio Google afirma que, fora do EEE, uma ação manual continua afetando diretamente os resultados da parte do site que estiver em desacordo com a política. O restante do domínio, segundo o anúncio, não é automaticamente afetado por essa ação específica.

Na prática, um editor brasileiro deve evitar duas leituras erradas. A primeira é imaginar que “o Google desistiu do site reputation abuse”. Não desistiu. A segunda é concluir que uma ação manual terá o mesmo impacto mundial. A partir de 30 de agosto, essa conclusão também deixa de ser correta para essa política.

O Search Console continua mostrando a ação manual

O Relatório de ações manuais do Search Console continua sendo o ponto operacional para saber se o Google identificou uma violação. No caso de abuso de reputação do site, a documentação orienta o proprietário a localizar o conteúdo de terceiros em desacordo com a política, corrigir as páginas afetadas e solicitar uma revisão quando considerar que o problema foi resolvido.

O anúncio de 28 de agosto acrescenta que proprietários continuarão sendo notificados no Search Console mesmo após a mudança territorial. Por isso, receber uma ação manual não passa a significar, por si só, que aquela página foi rebaixada da mesma forma em todos os mercados. A mensagem registra a aplicação da política; o efeito nos resultados depende de onde a busca é exibida.

O Google também afirma que sites elegíveis poderão, depois do pedido de reconsideração, levar disputas à mediação. Na documentação específica para o EEE, há ainda referência a um processo de reconsideração com resposta em prazo mais curto e mais detalhes sobre a fundamentação.

A mudança no EEE não é uma “troca de punição manual por punição algorítmica”

Esse é o ponto em que a terminologia importa. A documentação não diz que o Google simplesmente substituiu a ação manual por uma penalidade algorítmica no EEE. Ela descreve outro mecanismo: páginas de uma seção considerada em desacordo podem ser categorizadas como separadas do domínio principal. Com isso, a presunção de que essas páginas compartilham a qualidade geral do domínio deixa de ser aplicada àquela parte do site, e os sistemas passam a aprender, ao longo do tempo, a ranqueá-la de forma independente.

O próprio Google faz duas ressalvas que evitam uma interpretação exagerada: essa categorização não significa perda imediata dos sinais do site principal e o fato de uma seção ter sido categorizada dessa forma não é, por si só, usado como sinal de ranking. O resultado pode mudar ao longo do tempo porque aquela parte passa a competir mais pelos próprios méritos, não porque exista uma “penalidade algorítmica” equivalente à ação manual.

O que continua sendo abuso de reputação do site

A definição central da política permanece: o problema ocorre quando conteúdo de terceiros é publicado em um site principalmente para explorar os sinais de ranking já estabelecidos desse domínio e, assim, obter posições melhores do que o conteúdo conseguiria por conta própria. A presença de conteúdo de terceiros, isoladamente, não caracteriza violação.

A política de spam do Google cita como exemplos permitidos, entre outros, conteúdo sindicado em veículos de notícias, áreas de conteúdo gerado por usuários, colunas e trabalhos editoriais, além de publicidade nativa cujo objetivo seja alcançar leitores e não manipular rankings. A avaliação depende do propósito e da forma como o conteúdo usa a reputação do host, não apenas de quem o produziu.

EEE não é sinônimo de “toda a Europa”

O recorte anunciado é o Espaço Econômico Europeu. Segundo a cobertura da Reuters, ele abrange os 27 países da União Europeia mais Islândia, Noruega e Liechtenstein. Isso importa porque países europeus fora do EEE não entram automaticamente nessa exceção apenas por estarem na Europa. Para análise de tráfego e de visibilidade, o corte correto é EEE versus fora do EEE.

Por que o Google fez essa mudança

O Google diz que ajustou a aplicação da política após discussões com a Comissão Europeia. A Reuters informou em 28 de agosto que a Comissão havia aberto uma investigação no contexto do Digital Markets Act (DMA) após reclamações de editores e que passará a acompanhar a implementação da nova abordagem.

Esse contexto ajuda a explicar por que a mudança é territorial, mas não deve ser confundido com a regra operacional. Para quem administra um site, a referência prática continua sendo a documentação do Google: a política permanece, o Search Console continua registrando ações manuais e, fora do EEE, o efeito direto dessas ações continua em vigor.

Como interpretar uma ação manual a partir de 30 de agosto

  1. Confirme que a ação é especificamente de abuso de reputação do site. A mudança anunciada não é uma regra geral para todas as ações manuais.
  2. Veja quais páginas ou padrões foram apontados no Search Console. A documentação indica que a ação pode atingir apenas a parte do site em desacordo.
  3. Separe a análise por localização do usuário. No Brasil e em outros mercados fora do EEE, continua havendo efeito direto da ação manual; dentro do EEE, esse impacto não se aplica.
  4. Não trate a ausência de impacto manual no EEE como imunidade de ranking. A seção pode passar a ser avaliada separadamente e ranquear de forma independente.
  5. Corrija a violação mesmo que parte relevante da audiência esteja no EEE. A ação continua registrada, pode afetar usuários em outros mercados e a política continua sendo aplicada.
  6. Use reconsideração quando houver correção ou discordância fundamentada. O fluxo permanece disponível pelo Search Console.

Referências decisivas

Transparência editorial

Fontes e referências

  1. official
  2. official
  3. official
    Relatório de ações manuaisGoogle Search Console Help
  4. news

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